Em busca de uma luz que nos ajude a atravessar a floresta dos alimentos industrializados, um especialista no assunto, o americano Michael Pollan acaba de lançar no Brasil seu livro Regras da Comida – Um manual da sabedoria alimentar, que são 64 mandamentos do que ele considera correto ao comer. Pollan culpa a dieta ocidental por boa parte da fragilidade da saúde das pessoas. “Já não sabemos mais de onde vem nossa comida, a cadeia alimentar é tão grande que muita gente acha que tudo o que colocamos na boca vem do supermercado” diz Pollan.
Na revista Veja, alguns destes mandamentos de Pollan foram submetidos a um teste de realidade com quatro renomados especialistas em nutrição: as nutricionistas Sandra Chemin, do Centro Universitário Sao Camilo (SP), Flávia Bulgarelli Vicentini, da Universidade de Sao Paulo, o clínico geral Joao Gabriel da Fonseca, da Universidade Federal de Minas Gerais e o cardiologista Daniel Magnoni, do Instituto Dante Pazzanese (SP). Selecionei alguns itens bem interessantes que acho viável no cotidiano do século XXI e nos hábitos dos ocidentais. Vamos a eles.
“As pessoas cometem um grave erro ao acreditar que o consumo de alimentos light induz a perda de peso”, diz a nutricionista Flávia Bulgarelli Vicentini. Leia o rótulo, porque normalmente esse tipo de alimento tem uma quantidade maior de sódio. Muito sódio no organismo pode resultar em retenção de líquidos e risco de hipertensão arterial. Mas atenção: produtos dessa família ocupam lugar fundamental na alimentação de diabéticos e pessoas que precisam ingerir menos gordura.
Quem come apenas carne vermelha tem mais probabilidade de ter câncer ou enfarto. Isso porque a gordura saturada presente em grande quantidade, faz aumentar a taxa de colesterol ruim. O ideal, diz a nutricionista Flávia é consumir carne vermelha no máximo três vezes na semana, a porção deve ser do tamanho da palma da mão.
Muitas culturas tradicionais acreditam piamente nos benefícios dos alimentos que foram transformados por microrganismos vivos, como iogurte, repolho azedo, molho de soja e pão de fermentação natural. Esses alimentos podem ser boas fontes de vitamina B12, um nutriente essencial que não se pode obter das plantas. O iogurte, em particular, está relacionado a menor incidência de câncer no intestino.
Hoje existe um número considerável de provas cientificas dos benefícios do vinho para a saúde, em quantidades moderadas, é claro. Recomendam-se no máximo duas taças diárias para os homens e uma para as mulheres, pela diferença na absorção de álcool. O consumo regular está relacionado com longevidade e redução do endurecimentos arterial.
O cérebro demora por volta de vinte minutos para emitir os sinais de saciedade, por isso a lentidão ao comer é fundamental. Mesmo se você não tiver tempo, trate de ganhá-lo depois, mas não a mesa. Quanto mais devagar a mastigação, melhor a digestão.
Os peixes são fontes essenciais de omega-3, que ajuda a reduzir os patamares de triglicérides e colesterol ruim. Mas é fundamental ter cuidado com peixes de águas mais profundas, como o cação, porque o nível de mercúrio pode ser alto. Um conselho: evite consumi-los fritos ou preparados em forno de micro-ondas porque o teor de nutrientes diminui consideravelmente.
Os postos de gasolina agora ganham mais dinheiro do lado de dentro, com a venda de comida rica em gordura e açúcares e pobre em fibras, vitaminas, minerais (e cigarros), que do lado de fora, com a venda de gasolina.
Quanto maior a porção mais você come – acima de 30% a mais. Sabendo disso, os marqueteiros da alimentação exageram no tamanho das nossas porções como forma de nos fazer comprar mais. Uma pesquisa verificou que pela mera substituição de um prato de 30 centímetros por um de 25 as pessoas reduziram seu consumo em 22%.
Bom, comentei 8 dos 64 mandamentos, achou interessante? Leia o livro, tem muita coisa bacana que podemos adaptar para tornar nossa alimentação e a vida mais saudáveis. Mas nem sempre dá para ser muito rígido. Como diz Pollan: “comer é um ato social”.
Fonte:
www.veja.com




